Crítica | 007: Operação Skyfall
Atualizado: 14 de fev. de 2024

Operação Skyfall dentre os quatro primeiros filmes é o mais diferente, visto que cada diretor que passou pela franquia (do Daniel Craig) tem sua relação pessoal com a linguagem cinematográfica. Cada um deles detém sua forma de ver o mundo e, consequentemente, essa relação é a que observamos nas telonas.

Martin Campbell, por exemplo, traz em Cassino Royale um 007 mais realista, com uma decupagem muito mais estilizada e uma montagem ritmada. Marc Forster, por sua vez, sofrendo da greve dos roteiristas tem um filme mais problemático, onde Quantum of Solace acaba sendo nada! Apenas uma ação genérica, sem definir-se. No entanto, com a chegada de Sam Mendes, James Bond toma um rumo diferente de tudo que já foi visto com o seu selo.

Sam já deixou claro em Beleza americana e 1917, que seus filmes são muito mais do que aparentam ser - em 1917, por exemplo, assemelha-se a ser apenas um filme épico de guerra, mas se observarmos com atenção é um filme que versa muito sobre coragem, determinação e lealdade. Portanto, Operação Skyfall não se prende apenas na ação pirotécnica (visto no filme anterior), Mendes vai muito além disso em sua mise-en-scène, versando sobre traumas, família e renascimento.

Bom, todo o núcleo dramático do antagonista gira em torno de um abandono causado por uma falsa idealização de “mãe e filho” que o próprio criou. Portanto, com a dor de um coração partido ele gera todo o conflito do filme. Assim, chegando no nosso herói, ou melhor, protagonista James Bond, que passando por problemas psicológicos se vê obrigado a adentrar neste conflito pela mesma razão que o “vilão” iniciou-a...Maternidade.

Dessa maneira, temos os dois lados de uma mesma moeda, dois pontos de vista distintos sobre a mesma situação. É interessante observar como Sam coloca isso em tela, pois ao mesmo tempo que é óbvio (todo o conflito gira em torno da M) ele não é. Mendes faz do simples algo mais profundo, usa de uma ação blockbusting para falar sobre ruína e ressurreição.

Se os personagens de Martin no primeiro filme são frios e mais agentes, Sam humaniza eles, demonstra suas fraquezas e aproxima mais o telespectador deles. Sua decupagem é mais intimista, sua câmera passeia pelo cenário (como se estivéssemos presente) e se aproxima dos personagens, além de existirem mais diálogos do que os filmes anteriores, desta forma, ficando claro que a ação não é a principal ideia de Sam Mendes para o seu filme.

Vale ressaltar que Skyfall tem um dos melhores desenvolvimentos de personagem de toda a franquia 007. neste filme temos um Mr Bond com conflitos internos bem significantes, como sua dependência química , que fora gerada pelo seu trauma de infância - algo que, curiosamente, lembra-me o Bruce Wayne, onde o mesmo perdeu seus pais quando jovem e cresceu em meio aos maiores assassinos do mundo.

Sendo assim, James Bond é uma espécie de Batman, um símbolo de justiça manchado e fragmentado. Se em seu início James Bond cai ferido, mas não apenas fisicamente, também emocionalmente. Em seu final ele ressurge, libertando-se de seus medos (a destruição da mansão é uma ótima metáfora), deixando ir o único amor que lhe restava, um ato de amadurecimento que o personagem tanto precisava. Operação Skyfall deixa de ser um mero blockbuster de ação vazio e torna a franquia 007 em algo sincero e corajoso!






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