Crítica | Chamas da Vingança
Atualizado: 14 de fev. de 2024

Não é nenhum mistério o fato de que Stephen King seja o autor mais adaptado para os cinemas, são mais de 70 obras inspiradas nas histórias do autor nos cinemas e na televisão. King é um fabuloso escritor, que sabe muito bem como construir um suspense sobrenatural (é admirável como ele transforma a descoberta de poderes em algo assustador).
No entanto, muitas dessas adaptações já foram alvos de críticas negativas de Stephen King, desaprovando ferrenhamente o que alguns cineastas fizeram com seus livros. O exemplo mais conhecido é o do longa O Iluminado de Stanley Kubrick — desta vez, nessa readaptação de chamas da vingança, eu não consigo perceber nenhuma razão para um autor tão hábil na construção do terror admirar-se nesse novo longa.

Por mais de uma década, os pais Andy e Vicky estão fugindo desesperados para esconder sua filha Charlie de uma agência federal sombria que quer aproveitar seu dom sem precedentes para criar fogo em uma arma de destruição em massa.
Andy ensinou Charlie a como desarmar seu poder, que é desencadeado pela raiva ou pela dor. Mas quando Charlie faz 11 anos, o fogo fica cada vez mais difícil de se controlar. Depois que um incidente revela a localização da família, um agente misterioso é enviado para caçar a família e capturar Charlie de uma vez por todas.
É um tanto quanto curioso perceber como Chamas da Vingança segue a mesma linha de construção narrativa e de personagem que Carrie (obra também adaptada de King), no entanto o roteiro de Michael Teems falha na tentativa de desenvolver bem essa narrativa. É um trama simples (jovem descobre os seus poderes e precisa fugir das autoridades), mas ainda assim o longa encontra inúmeras dificuldades que o fazem não extrair o verdadeiro potencial da obra.

Chamas da Vingança não desenvolve nada em sua obra, é tudo muito jogado aos ventos da interpretação. As relações emocionais entre protagonista e pais não tem sua devida atenção narrativa, as descobertas dos poderes não apresentam com tanta relevância, e o pior de tudo, as motivações dos antagonistas são pessimamente explicadas.
É um filme confuso, perdido em sua própria definição, que mira em um terror/suspense sobrenatural — até utiliza dos mecanismos cinematográficos como movimentos de câmeras estilizados — mas acaba acertando em um suspense genérico que passa o primeiro ato inteiro (e boa parte do segundo) como terror, mas de repente torna-se um filme de ação com cenas de combate visualmente tenebrosas.
É decepcionante perceber que a direção de Keith Thomas não aproveita-se do grande potencial visual. No decorrer de quase todo o filme, os efeitos visuais são sem graça, falhando no impacto das cenas de suspense. Chamas da vingança não tem um contraste de luz e sombra, ou um bom aproveitamento da paleta de cores, é tudo muito hediondo, parece que o diretor de fotografia Karin Hussain e o diretor Thomas não conseguem definir-se.
O maior aproveitamento da obra de Thomas apresenta-se da trilha sonora assinada por John Carpenter (Halloween), que além de ser uma composição nada original (na verdade é uma perfeita adaptação do que ouvimos nos filmes do mascarado Michael Myers), com agudos intensos de pianos, ainda consegue empolgar e criar um ritmo de suspense notável.






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